segunda-feira, 2 de março de 2026

De Alhandra a Vila Franca de Xira, entre o Rio Tejo e as aldeias da serra




Um percurso realmente diferente e diverso, num só dia combinamos a tranquilidade do Tejo, o ambiente urbano ribatejano e os trilhos exigentes da serra, num percurso circular com início e fim em Alhandra.

Iniciamos a caminhada em Alhandra, no Passeio Ribeirinho, junto ao Monumento à Tauromaquia. A primeira parte do percurso é totalmente plana e muito agradável, sempre acompanhados pelo rio Tejo.

Seguimos pelo caminho pedonal ribeirinho até ao Jardim Municipal Constantino Palha e à Marina de Vila Franca de Xira. Este troço é perfeito para caminhar sem pressas, apreciar as lezírias e desfrutar da paisagem ampla e luminosa do estuário.

Já em Vila Franca de Xira, fizemos uma breve passagem pelo bairro dos Avieiros do Tejo e percorremos algumas ruas da cidade, com paragem junto à estação de comboios, ao mercado municipal e a vários pontos emblemáticos.

De regresso ao rio, passamos pela icónica Praça de Touros Palha Blanco, símbolo maior da tradição tauromáquica da cidade, antes de nos prepararmos para a parte mais exigente do dia.

É aqui que o percurso muda de carácter. Deixamos a planície ribeirinha e começamos a subir pelos trilhos íngremes da serra. A exigência física aumenta, mas a recompensa não tarda.



Chegamos ao Miradouro do Bairro do Paraíso, onde as vistas sobre o Tejo e as lezírias compensam cada passo da subida. É um excelente local para uma pausa e para recuperar energias.

Depois do miradouro, seguimos pelo Caminho dos Moinhos até à aldeia de A-dos-Loucos. Pelo caminho, passamos pela Fonte da Ceira e percorremos o trilho com o mesmo nome.

Continuamos depois até à Rua Sem Nome e ao Caminho da Aliança — uma descida bastante íngreme que exige atenção, especialmente em piso irregular — até alcançarmos a Igreja Paroquial de São João dos Montes.

Daqui, o percurso leva-nos à Quinta do Álamo e, pouco depois, de volta a Alhandra. Já na vila, passamos pela Igreja de Nossa Senhora de Fátima, onde, nesse dia, decorria a feira semanal no adro, dando ainda mais vida ao final da caminhada.

Antes de terminar, passamos também pela Igreja de São João Batista, regressando depois ao ponto inicial.



Alhandra

Alhandra é uma vila ribeirinha do concelho de Vila Franca de Xira, situada na margem direita do rio Tejo, a cerca de 25 km de Lisboa.

Com forte identidade ribatejana, Alhandra combina a proximidade ao rio com a paisagem das lezírias e a envolvente da serra, sendo um excelente ponto de partida para percursos pedestres e cicláveis. A vila desenvolve-se entre o Tejo e a encosta da serra, oferecendo uma zona ribeirinha plana, ideal para caminhadas tranquilas, e trilhos de serra com algum desnível e vistas amplas sobre o rio e as lezírias.

O Passeio Ribeirinho é bastante agradável, bem conservado e integrado nos Caminhos de Fátima e de Santiago, sendo muito procurado para caminhadas e ciclismo.

Entre os principais pontos de interesse destacam-se a Igreja de São João Baptista, a Igreja de Nossa Senhora de Fátima e vários monumentos ligados à tradição tauromáquica, muito enraizada na cultura local.

Alhandra mantém o ambiente típico de vila ribatejana, com forte sentido comunitário, festas populares e comércio tradicional, sendo um local tranquilo e com bons acessos, ideal para início ou final de percursos na região.



Vila Franca de Xira

Vila Franca de Xira é uma cidade ribatejana situada na margem direita do rio Tejo, a cerca de 30 km de Lisboa. Sede de concelho, é um dos principais centros urbanos da região, combinando tradição, cultura e uma forte ligação ao rio e às lezírias.

Conhecida como a “capital do toiro bravo”, Vila Franca de Xira tem uma profunda tradição tauromáquica, celebrada anualmente nas Festas do Colete Encarnado, um dos eventos mais emblemáticos da região. A cultura ribatejana está bem presente nas festas populares, na gastronomia e na vivência ligada ao mundo rural e agrícola.

Entre os principais pontos de interesse destacam-se a Praça de Touros Palha Blanco, o Jardim Municipal Constantino Palha e a Marina de Vila Franca de Xira, que valorizam a zona ribeirinha e oferecem espaços agradáveis para passeio e lazer. O Bairro dos Avieiros recorda a antiga comunidade piscatória do Tejo e reforça a identidade histórica da cidade.

Vila Franca de Xira desenvolve-se entre o Tejo e a lezíria ribatejana, com paisagens amplas e planas, muito procuradas para caminhadas e percursos cicláveis. A cidade combina o dinamismo urbano com o ambiente típico ribatejano, dispondo de bons acessos ferroviários e rodoviários, comércio variado e uma forte vida cultural ligada às tradições locais.



Apoios e acessos

Este é um percurso não marcado. A primeira metade, até Vila Franca de Xira, é completamente plana e acessível. Já o regresso pela serra apresenta subidas e descidas íngremes, com algum grau de dificuldade.

O Passeio Ribeirinho entre Alhandra e Vila Franca de Xira é muito agradável, bem conservado e devidamente marcado, integrando os Caminhos de Fátima e de Santiago.

Alhandra e Vila Franca de Xira partilham uma forte tradição tauromáquica, visível nos monumentos e na identidade cultural das duas localidades, tornando este percurso não apenas uma caminhada na natureza, mas também uma viagem pela cultura ribatejana.

No inicio na Rua dos esteiros há um parque de estacionamento, durante todo o percurso há vários cafés e outros tipos de apoios

Em qualquer dos dois sentidos há subidas muito ingremes, aconselho o sentido contrário ao dos ponteiros do relógio, em sentido contrário a descida para Vila Franca pode ser muito complicada.

Dados Técnicos


Distancia percorrida : 16 Kms,

Dificuldade: Média 

Desnível positivo: 300 metros


Jorge Soares

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Caminhada na Moita - Entre a cidade o campo e o Rio



Há percursos que surpreendem pela diversidade, e este é um deles. Totalmente plano, acessível e muito variado, este trilho na Moita combina ambiente urbano, zona rural, património histórico e paisagem ribeirinha, sempre com o estuário do Tejo como pano de fundo.

Começamos no Largo da Juventude, na Moita, e rapidamente deixamos para trás o casario para entrar na tranquilidade dos campos agrícolas. Seguimos em direção à aldeia de Sarilhos Pequenos, atravessamos a aldeia e o que resta do montado e do bosque de pinheiro-manso, testemunhos de uma paisagem que outrora dominava esta região.

O percurso leva-nos depois até à Quinta do Esteiro Furado, também conhecida como Quinta dos Ingleses. As ruínas da antiga propriedade surgem em plena planície ribeirinha, carregadas de memória e história. Caminhar por ali é imaginar o tempo em que estas terras tinham intensa atividade agrícola e ligação direta ao rio.

Retomamos o trilho rumo à Praia do Rosário e à Ermida de Nossa Senhora do Rosário. O centro da pequena aldeia convida a uma pausa tranquila, especialmente no pitoresco Pátio do Rosário. A vista sobre o estuário é ampla e luminosa, típica da margem sul do Tejo.

Seguimos depois em direção ao Gaio e entramos numa das zonas mais interessantes do percurso: o Sítio das Marinhas da Moita. Aqui, caminhamos junto ao rio, por entre antigas salinas e sapais. A paisagem abre-se por completo e o silêncio é apenas interrompido pelo som das aves. É um local excelente para observação de fauna e para apreciar a beleza crua das zonas húmidas.



A Moita – Identidade Ribeirinha

A Moita é uma vila ribeirinha situada na margem sul do estuário do Tejo, no distrito de Setúbal, integrada na Área Metropolitana de Lisboa. A sua identidade está profundamente ligada ao rio, que moldou a economia, a cultura e a paisagem local ao longo dos séculos.

Ao longo da frente ribeirinha encontramos vestígios de antigas atividades marítimas, zonas de sapal e salinas que recordam a importância económica do estuário. A Praia do Rosário é um dos pontos mais emblemáticos, oferecendo vistas amplas e tranquilas sobre o Tejo.

A cerca de 30 km de Lisboa, a Moita mantém um ambiente mais calmo e tradicional, combinando proximidade à capital com uma forte ligação à natureza e às suas raízes históricas.



Quinta do Esteiro Furado (Quinta dos Ingleses)

Situada junto ao estuário, a Quinta do Esteiro Furado é hoje um conjunto de ruínas envoltas por vegetação espontânea. Também conhecida como Quinta dos Ingleses, o nome estará associado a antigos proprietários britânicos, numa época em que o Tejo era uma via comercial fundamental.

Apesar do estado de degradação, o local conserva um enorme valor paisagístico e histórico. A envolvente é tipicamente estuarina: terrenos planos, antigas áreas agrícolas, salinas e zonas húmidas. A tranquilidade do local contrasta com a memória da intensa atividade que ali existiu.

É um ponto de passagem marcante no percurso e um dos locais mais fotogénicos da caminhada.



Sítio das Marinhas – Natureza e Memória

O Sítio das Marinhas é uma das zonas mais interessantes da Moita. Antigas salinas desenham a paisagem, ainda hoje marcadas pelos taludes e divisórias dos antigos tanques de evaporação.

Integrado no ecossistema do estuário do Tejo, é um espaço rico em biodiversidade, especialmente em aves. Os trilhos planos e acessíveis tornam-no ideal para caminhadas, corrida ou passeios de bicicleta.

Apesar de necessitar de alguma valorização e manutenção, continua a ser um espaço onde natureza, memória e tranquilidade se cruzam, representando um dos cenários mais característicos da paisagem ribeirinha da Moita.


Apoios e acessos

  • Este é um percurso ideal para quem procura uma caminhada tranquila:

    • Terreno completamente plano

    • Piso maioritariamente em terra batida e trilhos ribeirinhos

    • Fácil e acessível

    • Pode ser feito em qualquer altura do ano

    • Percorrível nos dois sentidos

    Convém, no entanto, ter em atenção que o percurso praticamente não tem sombras. Nos meses mais quentes, é essencial levar água suficiente e evitar as horas de maior calor.

    Apesar da beleza natural da zona ribeirinha e do Sítio das Marinhas, alguns troços apresentam sinais de degradação e mereciam maior manutenção para preservar este património natural.

    No conjunto, é um percurso muito agradável, perfeito para quem aprecia caminhadas serenas, natureza e as paisagens amplas e luminosas da margem sul do Tejo.

Dados Técnicos


Distancia percorrida : 14 Kms,

Dificuldade: Fácil

Desnível positivo: 57 metros


Jorge Soares

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Ecovia do Arda – Caminhar ao Som da Água em Arouca

 


Há trilhos que se fazem pelos quilómetros. Outros fazem-se pelas sensações. A Ecovia do Arda é, sem dúvida, um daqueles percursos onde a paisagem, a água e o verde intenso nos acompanham a cada passo.

Localizada em Arouca, esta ecovia desenvolve-se ao longo de cerca de 11 km, ligando a vila ao lugar da Ribeira (Tropeço), sempre com a presença constante do Rio Arda como cenário principal.



Um percurso acessível e variado

Trata-se de um percurso linear, com piso que alterna entre passadiços de madeira e troços em cimento, o que o torna acessível e confortável para a maioria das pessoas. Pode ser feito na totalidade ou adaptado a distâncias mais curtas — ideal para quem quer uma caminhada tranquila ou um passeio em família.

O trilho percorre grande parte do vale do Arda, numa envolvência marcadamente rural e agrícola. Campos cultivados, pequenas pontes, açudes e vegetação ribeirinha criam um ambiente sereno e genuíno.


Fevereiro: verde intenso e água em abundância

Num fevereiro particularmente chuvoso, encontramos o vale em todo o seu esplendor. Havia água em abundância: no rio, nos ribeiros e até nos campos que o rodeiam.

O vale vestia-se de um verde intenso e a água “cantava” nas inúmeras quedas de água, cascatas naturais e açudes. Um verdadeiro espetáculo natural, onde cada curva do trilho traz uma nova perspetiva.



Arouca 

Arouca é uma vila portuguesa situada no distrito de Aveiro, integrada na Área Metropolitana do Porto, mas já com uma forte identidade serrana. Rodeada por montanhas, vales profundos e rios de águas límpidas, é um destino cada vez mais procurado por quem valoriza natureza, património e tranquilidade.

O seu centro histórico é acolhedor e marcado pela presença imponente do Mosteiro de Arouca, fundado no século X e profundamente ligado à história de D. Mafalda. Este monumento é uma das maiores referências patrimoniais da região e ajuda a compreender a importância histórica da vila. À sua volta, ruas tradicionais, pequenos comércios e pastelarias mantêm viva a autenticidade local.

Pode ser visitada em qualquer altura do ano: na primavera, os campos vestem-se de verde e flores; no verão, os rios convidam a mergulhos e caminhadas; no outono, as serras ganham tons dourados; e no inverno, a chuva intensifica o caudal das ribeiras e cascatas.

Arouca é, acima de tudo, um destino onde natureza e história convivem em harmonia, convidando a abrandar o ritmo e a desfrutar da paisagem com tempo.



O rio Arda

O Rio Arda é um curso de água do Norte de Portugal e um dos afluentes do Rio Douro. Nasce na Serra da Freita, no concelho de Arouca, e percorre vários quilómetros por vales marcadamente rurais até desaguar no Douro, no concelho de Castelo de Paiva.

Ao longo do seu percurso, o Arda atravessa zonas agrícolas, pequenas aldeias e áreas de vegetação ribeirinha bem preservada. O seu vale é amplo e fértil, moldado pela ação da água ao longo de milhares de anos.

O nosso percurso

Iniciámos a caminhada junto ao Hotel São Pedro. Atravessámos a vila pelas ruas centrais e pelos jardins, até encontrarmos o rio e o início da ecovia.

Todo o percurso está muito bem cuidado, tanto nos passadiços de madeira como nos restantes troços — mesmo com as marcas bem visíveis das cheias recentes.

No regresso, fizemos ainda um pequeno desvio até ao Parque do Ribeiro de Gondim, um espaço verde muito agradável que vale a visita.

É justo deixar uma nota de reconhecimento à Câmara Municipal de Arouca, pelo excelente trabalho na valorização e promoção do turismo de natureza na região.

Apoios e acessos

  • ✔ Ideal para fazer em família ou com amigos

  • ✔ Pode ser percorrido em qualquer altura do ano

  • ⚠ Em dias húmidos, atenção aos passadiços escorregadios

  • 📏 Distância flexível: entre pequenos troços e até cerca de 22 km (ida e volta)

No nosso caso, como estávamos com tempo limitado, fizemos 12 km (ida e volta). Ainda assim, foi suficiente para desfrutar da essência deste vale encantador.

Se procuras uma caminhada tranquila, com água sempre por perto e paisagens naturais autênticas, a Ecovia do Arda é uma excelente escolha.

Já conheces este trilho ou ficou na tua lista? 

Dados Técnicos


Distancia percorrida : 12 Kms,

Dificuldade: Fácil

Desnível positivo: 100 metros

Trilho wikiloc Ecovia do Arda


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Serra da Freita - Albergaria da Serra e Pedra Broa, com partida em Merujal


Era para ser o PR15 de Arouca – Viagem à Pré-História. Mas a chuva decidiu contar outra história… e levou a melhor. Ficámo-nos pela imponente Pedra Broa.

Sou um caminheiro com sorte. Regra geral, não chove nas minhas caminhadas. Os meus companheiros de trilha dizem que tenho um contrato especial com São Pedro — à prova de água. Mas, como toda a regra tem a sua exceção… desta vez choveu. Já chovia quando iniciámos o percurso, continuava a chover quando decidi que era melhor voltar para trás… e choveu o resto do dia.

O trilho, muito bem marcado e, até onde conseguimos ver, arranjado e limpo, estava transformado num verdadeiro rio. Aliás, todo o planalto da Serra da Freita parecia um mar de água.

Ainda assim, deu para perceber que este é um percurso excecional. O Rio Caima descia cheio, vibrante, transformando o seu leito numa sequência de cascatas e rápidos, envoltos numa natureza crua e impressionante.

Iniciámos o percurso junto ao Parque de Campismo do Merujal e seguimos o trilho no sentido dos ponteiros do relógio, em direção a Albergaria da Serra.

Após atravessarmos o Rio Caima na aldeia, o trilho segue por caminhos antigos junto ao rio que, num dia de chuva intensa, corre ágil na sua versão mais poderosa — indomável, vivo, absolutamente fascinante.

Serpenteamos pelas margens até ao local onde encontramos a Pedra Broa. Visitado o local, tomei a decisão mais sensata: não havia condições para cumprir os 17 km previstos. A serra estava linda, sim — mas furiosa, selvagem e muito molhada.

Serviu para abrir o apetite. Vou voltar, sem dúvida. Num dia de céu limpo, com vistas amplas e a serra na sua versão mais contemplativa.

A zona tem muitos estradões e caminhos, pelo que foi fácil encontrar um percurso mais ou menos em linha reta para regressarmos à aldeia.

Molhados que nem pintos, fizemos paragem no café da aldeia — que soube pela vida. Todos precisávamos de um local acolhedor, quente, com boa conversa.

Há no café um detalhe imperdível: uma velha cabine telefónica instalada no interior e, dentro dela, um daqueles telefones de disco, de outros tempos. Um pequeno tesouro inesperado.



Albergaria da Serra

Albergaria da Serra é uma pequena aldeia de montanha situada no concelho de Arouca, em plena Serra da Freita, no norte de Portugal. Integrada no território do Arouca Geopark, reconhecido pela UNESCO, destaca-se pela sua envolvente natural de grande beleza e pelo caráter rural preservado.

As casas tradicionais de granito, as ruas estreitas e o ambiente tranquilo revelam um modo de vida simples, profundamente ligado à agricultura e à pastorícia. A população reduzida contribui para uma atmosfera serena, onde o silêncio da montanha é interrompido apenas pelo vento e pelo som da água a correr nas linhas de água próximas.

Nas proximidades encontra-se a imponente Frecha da Mizarela, uma das mais altas quedas de água de Portugal, reforçando o encanto natural da região.

Mais do que um ponto no mapa, Albergaria da Serra é um testemunho vivo da relação harmoniosa entre o ser humano e a montanha.



Rio Caima

O Rio Caima nasce na Serra da Freita, no concelho de Arouca, e percorre vales profundos e paisagens verdejantes até desaguar no Rio Vouga, nas proximidades de Oliveira de Azeméis.

Na zona da nascente, o leito é estreito e irregular, com águas rápidas e frias a correr entre rochas graníticas. À medida que desce, o vale alarga-se, surgem margens mais acessíveis, campos agrícolas e pequenas povoações.

Historicamente, foi essencial para as comunidades locais — fonte de água, rega e energia para antigos moinhos. Hoje, é também um elemento paisagístico de grande valor, procurado por caminhantes e amantes da natureza.



A Pedra Broa

Pedra Broa — também conhecida como Boroa — é um daqueles caprichos geológicos que nos fazem parar e olhar duas vezes. São blocos graníticos com fissuras poligonais que lembram a côdea da broa de milho, resultado de erosão diferencial ao longo de milhares de anos. Um verdadeiro testemunho da força paciente da natureza.



Conclusão

Não foi o PR15 completo. Não houve “Viagem à Pré-História” até ao fim.

Mas houve serra em estado puro. Houve chuva persistente, decisões prudentes e a promessa de regresso.

E isso, para quem gosta de caminhar, já é metade da aventura.

Apoios e acessos

O percurso tem inicio junto ao Parque Campismo de Merujal, que a julgar pelas placas e anuncios, tem um restaurante, nesta época está encerrado. Como referido, em Albergaria da Serra há um pequeno café. Há muito estacionamento.

Quando ir?


Todo o percurso é no planalto da serra, numa zona com vegetação rasteira e quase sem árvores, não há sombras, há que ter atenção ao calor, ao frio e sobretudo, não vão em dias de chuva continua.


Dados Técnicos


Distancia percorrida : 9 Kms,

Dificuldade: Média

Desnível positivo: 180 metros

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Passadiços do Paiva e Ponte 516 Arouca: natureza em estado puro



À data da nossa visita, devido aos incêndios do verão de 2025, apenas era possível percorrer os passadiços entre a Praia Fluvial do Areinho e a do Vau. A entrada do lado de Espiunca encontrava-se encerrada, sendo o único acesso disponível pelo Areinho.

Optámos por fazer o percurso de ida e volta, num total aproximado de 10 km. Para quem preferir realizar apenas um dos sentidos, existe a possibilidade de regressar ao ponto inicial de jipe ou táxi.

Uma nota importante para quem vai visitar a Ponte Suspensa e adquiriu bilhete pelo Areinho: o horário indicado refere-se à entrada na ponte, e não ao acesso ao Areinho.

As chuvas das semanas anteriores deram ainda mais vida ao cenário. O Rio Paiva, os ribeiros e as cascatas ao longo do percurso apresentavam um caudal impressionante, tornando a paisagem ainda mais arrebatadora.

Os Passadiços do Paiva acompanham o rio ao longo do vale, onde o som constante da água se mistura com o verde intenso da vegetação. As cores da natureza são simplesmente fantásticas.

No entanto, muita chuva significa também muita humidade. Em vários pontos, a madeira estava escorregadia, exigindo atenção redobrada para evitar quedas — mesmo com calçado de sola aderente.

Sem dúvida, trata-se de um dos mais belos percursos naturais de Portugal.

A subida desafiante até à ponte

Não sei como estará o acesso pelo lado de Espiunca, mas pela entrada onde iniciámos o percurso, após algumas centenas de metros surge uma subida íngreme: cerca de 600 degraus numa ascensão acentuada até à entrada da ponte suspensa.

Não é recomendável para quem não tenha alguma preparação física, sobretudo porque a ponte pode ser visitada com acesso mais facilitado pela entrada de Alvarenga.


A impressionante Ponte 516 Arouca

A Ponte 516 Arouca é uma das mais impressionantes pontes pedonais suspensas do mundo e integra o Arouca Geopark.

Com 516 metros de comprimento — número que lhe dá o nome — estende-se a cerca de 175 metros de altura sobre o Rio Paiva, proporcionando uma experiência única, especialmente para quem não sofre de vertigens.

O piso é em rede metálica, permitindo ver o vale e o rio sob os pés, o que intensifica a sensação de altura e aventura. A estrutura metálica é sustentada por cabos de aço e ancorada em duas torres de betão em forma de “V” nas extremidades.

A travessia demora, em média, cerca de dez minutos, dependendo do ritmo de cada visitante. Durante o percurso, a ponte pode oscilar ligeiramente, sobretudo em dias de vento ou com a passagem de outras pessoas — um detalhe que aumenta a adrenalina.

Do alto, as vistas sobre a Garganta do Paiva, as encostas verdejantes e a paisagem rochosa envolvente são absolutamente memoráveis. Inaugurada em maio de 2021, tornou-se rapidamente um dos principais pontos turísticos da região e um símbolo contemporâneo da engenharia em Portugal.


O Rio Paiva: um tesouro natural

O Rio Paiva é considerado um dos rios mais limpos e bem preservados do país. Nasce na Serra de Leomil, no concelho de Moimenta da Beira, e percorre cerca de 110 quilómetros até desaguar no Rio Douro, junto a Castelo de Paiva.

Ao longo do seu percurso, atravessa vales profundos, encostas escarpadas e impressionantes formações rochosas, como a Garganta do Paiva, no concelho de Arouca — uma das zonas mais emblemáticas do território integrado no Arouca Geopark.

As suas margens, cobertas por vegetação autóctone, abrigam uma rica biodiversidade, incluindo diversas espécies de aves, peixes e mamíferos.

Além da contemplação, o rio é também muito procurado para atividades como rafting, canoagem e caminhadas. Apesar do crescente fluxo turístico, mantém um caráter selvagem e tranquilo, sendo um excelente exemplo de conservação ambiental e valorização sustentável da natureza em Portugal.

Se procura um destino que combine paisagem dramática, desafio físico e contacto profundo com a natureza, os Passadiços do Paiva e a Ponte 516 Arouca são uma escolha absolutamente imperdível.

Apoios e acessos

Do lado do Areinho há um bar bastante agradável, no dia em que fomos havia uma funcionária extremamente simpática e prestável. Há onde estacionar e, no verão, uma praia fluvial.

No Vau, há um bar, que nesta altura estava encerrado, casas de banho e uma praia fluvial.

Quando ir?


Os passadiços e a ponte estão abertos durante todo o ano. Imagino que cada estação tenha a sua beleza particular: nesta altura, há muita água e tanto o rio como as cascatas são um espetáculo à parte; no verão, há praias fluviais para aproveitar; e o outono também tem o seu encanto especial. 

Dados Técnicos

Distancia percorrida : 12 Kms, incluindo a ponte

Dificuldade: Média/Alta (São mais de 1000 Degraus)

Desnível positivo: 450 metros 

Trilho wikiloc Passadiços do Paiva

Jorge Soares

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Passadiços de Aveiro: entre a ria e o estuário do Vouga

Há percursos que nos convidam a abrandar — e este é um deles. O trilho de ida e volta nos Passadiços de Aveiro, com início e fim no Cais da Ribeira de Esgueira, é uma caminhada tranquila, acessível e perfeita para quem procura natureza, água e horizontes abertos.

Um percurso plano, simples e surpreendente

O trajeto é completamente plano, alternando entre passadiços de madeira e caminhos de terra batida. A progressão é fácil e agradável, ideal para todas as idades, seja a caminhar, a correr ou até de bicicleta.

Seguimos até ao ponto onde o percurso encontra o Rio Vouga, junto à Ponte Caída. A ideia inicial era continuar ao longo do rio até ao Parque de Merendas do Outeiro. No entanto, devido às tempestades dos últimos dias, o Vouga tinha galgado as margens e o trilho encontrava-se inundado, obrigando-nos a regressar.

Ainda assim, a experiência manteve-se memorável.



Entre a água doce e a água salgada

Ao longo do percurso, a proximidade constante da Ria de Aveiro cria uma atmosfera muito própria. A paisagem é ampla, luminosa e marcada por zonas húmidas, salinas e vegetação adaptada ao ambiente salino.

Na zona de Aveiro e da freguesia de Cacia, o Vouga aproxima-se do seu troço final antes de se fundir com a ria. Aqui, o rio abranda, divide-se em braços e canais e mistura-se com a influência das marés, formando um ambiente de características estuarinas. O resultado é um ecossistema rico, onde é frequente observar aves aquáticas e uma paisagem que parece mudar consoante a luz do dia.




Quando ir?

O percurso é transitável em qualquer altura do ano e totalmente acessível. No entanto, há poucos locais com sombra, pelo que no verão é aconselhável evitar as horas de maior calor.

Virado a oeste, este trilho deve proporcionar um espetáculo extraordinário ao final do dia. O pôr do sol reflete-se na água, pintando o céu e a ria com tons dourados e rosados — um momento perfeito para terminar a caminhada.

Apoios e acessos

Do lado de Esgueira existe um café bastante agradável, ideal para uma pausa antes ou depois do percurso, e há bastante estacionamento nas imediações, o que facilita o acesso.

Mais do que um simples trilho, este percurso é um convite a descobrir a ligação profunda entre Aveiro, o seu rio e a sua ria. Um espaço onde natureza, luz e água se encontram — e onde cada passo acompanha o ritmo calmo da paisagem.


Jorge Soares


Dados técnicos


Distancia : 12 Kms

Dificuldade : fácil

Desnível Positivo : 0

Trilha Wikiloc :Passadiços de Aveiro

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Pr8+Pr9 de Monchique - Os caminhos de Alferce e Passadiços do Barranco do Demo



Trilho circular que percorre partes do PR8 e do PR9 de Monchique.

Com início e chegada a Alferce, este trilho percorre serras e vales florestais e rurais da Serra de Monchique.

O início é junto à Igreja Matriz de São Romão, na aldeia de Alferce. Após atravessar a aldeia, segue-se uma descida acentuada até ao vale da Ribeira de Monchique. O trilho acompanha o vale junto à ribeira, sendo necessário atravessá-la a vau em duas ocasiões.

Segue depois sempre em subida, por caminhos florestais, até à aldeia da Umbria. Após a passagem pela aldeia, o percurso continua pela antiga estrada romana até à aldeia do Alto de Baixo.

Na aldeia, abandona-se o percurso do PR8 e segue-se o PR9, com destino aos Passadiços do Barranco do Demo, à ponte suspensa e, posteriormente, de regresso a Alferce.

Trata-se de um trilho muito agradável pela Serra de Monchique, com paisagem variada, combinando serra, aldeias e vistas muito bonitas. Os pontos altos do percurso são as duas passagens pela ribeira e os Passadiços do Barranco do Demo.

Todo o percurso tem bastantes zonas de sombra. Ambos os PR apresentam boa marcação, pelo que não é difícil seguir o trajeto. O trilho pode ser percorrido em qualquer altura do ano, embora seja necessário ter atenção às duas passagens a vau da ribeira, especialmente em períodos de maior pluviosidade.

Pode ser realizado em qualquer dos sentidos dos ponteiros do relógio; no entanto, aconselha-se o sentido contrário ao dos ponteiros, pois termina nos passadiços, enquanto o outro sentido termina com uma subida íngreme.


Ficha técnica 

Distancia percorrida: 12 Kms

Dificuldade: média

Desnivel positivo: 450 metros

Tempo de caminhada: aproximadamente 4 horas

Percurso wikiloc


Pontos de passagem

Alferce

Alferce é uma pequena aldeia serrana do concelho de Monchique, no Algarve, com um ambiente muito tranquilo e profundamente ligado à natureza.

Fica encaixada entre vales verdes e colinas da Serra de Monchique, longe do litoral turístico. Aqui o tempo anda devagar: há casas brancas simples, ruas estreitas, terrenos agrícolas e um silêncio que só é interrompido pelo canto dos pássaros, pela água dos ribeiros ou por algum trator ao longe.




Ribeira de Monchique

A Ribeira de Monchique é um dos elementos naturais mais marcantes da Serra de Monchique — discreta, mas vital.

Nasce nas zonas mais altas da serra, alimentada por nascentes e linhas de água que descem por encostas íngremes, seguindo o seu caminho serpenteando por vales profundos e férteis. Ao longo do percurso, dá vida à paisagem e às pessoas que dela dependem.




Passadiços do Barranco do Demo

Os Passadiços do Barranco do Demo percorrem um vale profundo e estreito da Serra de Monchique, acompanhando o traçado natural do barranco entre encostas íngremes e vegetação densa. O caminho alterna entre estruturas de madeira e troços de terra batida, integrando-se no relevo acidentado do terreno. Ao longo do percurso, o desnível acentuado cria uma sensação constante de verticalidade, com escadarias que sobem e descem de forma abrupta.

A paisagem é marcada por rocha exposta, taludes cobertos de fetos e árvores serranas, como medronheiros e sobreiros, que fecham o vale e criam um ambiente fresco e sombrio. Nos períodos mais húmidos, a água percorre o fundo do barranco, escorrendo entre pedras e raízes, reforçando o carácter vivo e natural do espaço.

O silêncio é dominante, interrompido apenas pelo som da água, do vento ou da fauna local. O percurso, embora curto, exige esforço físico e atenção, convidando a uma experiência intensa e envolvente. Os passadiços revelam um lado mais agreste e profundo de Monchique, onde a natureza se impõe e o caminhar se transforma num contacto direto com a serra.




Barranco do Demo

O Barranco do Demo é um vale profundo e encaixado da Serra de Monchique, marcado por um relevo abrupto e por um ambiente natural intenso e quase fechado. As encostas íngremes descem de forma acentuada até ao fundo do barranco, criando uma sensação de profundidade e isolamento.

O leito é percorrido por uma linha de água sazonal que, nos meses mais chuvosos, corre entre rochas, raízes e pedras soltas, dando vida ao vale. No verão, a água diminui ou desaparece em alguns troços, mas o barranco mantém um ambiente fresco e húmido, protegido do sol direto.

A vegetação é densa e característica da serra: medronheiros, sobreiros, carvalhos, fetos e arbustos cobrem as encostas, fixando o solo e fechando a paisagem. Este conjunto cria um microclima próprio, mais fresco e sombrio do que as zonas envolventes.

O Barranco do Demo transmite uma sensação de natureza bruta e pouco domada. O silêncio, o relevo acidentado e a vegetação fechada tornam-no um espaço de forte presença natural, onde a serra se revela no seu lado mais agreste e profundo.


Jorge Soares

Imagens do Facebook de Jorge Victor.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Trilho na Gâmbia – entre salinas, arrozais, vinhas, montado e o estuário do Sado


Imagem minha do Wikiloc

A zona da Gâmbia, na península de Setúbal, é um daqueles territórios onde a paisagem muda a cada quilómetro e onde a presença da água marca profundamente o território. Inserido no estuário do rio Sado, este trilho revela uma área baixa e plana, moldada pelas marés, pelos canais de água e pela atividade humana ao longo dos séculos.

O percurso tem início junto ao Parque de Campismo e desenvolve-se maioritariamente em estradas e estradões, tornando-o plano, acessível e muito agradável. Ao longo do caminho atravessam-se pequenas aldeias, zonas de montado, vinhas, extensos arrozais e as antigas salinas da Gâmbia, que hoje funcionam como importantes áreas de refúgio para aves aquáticas.




As salinas são um dos elementos mais marcantes da região. Durante séculos, a produção de sal teve aqui um papel fundamental na economia local. Atualmente, muitas destas estruturas encontram-se desativadas, mas mantêm um elevado valor ecológico, oferecendo cenários únicos e tranquilos, ideais para observação da natureza.

Os arrozais, alimentados por água doce, formam grandes superfícies alagadas durante parte do ano, criando paisagens muito diferentes conforme a estação. Na primavera e no verão dominam os tons verdes intensos; no final do ciclo, os campos ganham cores douradas antes da colheita.

Para além das zonas húmidas, o trilho atravessa áreas de montado, um ecossistema típico do sul de Portugal, dominado por sobreiros e azinheiras. Este sistema resulta de uma gestão tradicional do território e tem grande importância ambiental, sendo também fundamental para a biodiversidade local.

Um dos pontos de interesse do percurso é o cais palafítico da Gâmbia, construído sobre estacas de madeira cravadas no fundo do estuário. Este cais está ligado às antigas atividades de transporte fluvial, pesca e exploração das salinas, constituindo hoje um importante testemunho do património local e da relação histórica entre as populações e o rio Sado.

O trilho pode ser realizado em qualquer altura do ano e em ambos os sentidos. A versão por nós percorrida teve cerca de 15 km, mas o percurso é facilmente adaptável, podendo ser encurtado ou prolongado graças à extensa rede de caminhos existentes.




⚠️ Nota: Devido ao incêndio na ponte do Zambujal, não é atualmente possível a visita à Herdade nem ao Zambujal milenário.

Este é um percurso ideal para quem procura uma caminhada tranquila, rica em paisagens naturais e com forte ligação à história e identidade do estuário do Sado.

Trilho wikiloc Aqui

Dados técnicos:

Distância percorrida : 15 Kms

Desnivel positivo: 97 metros

Dificuldade: Fácil


Jorge Soares

De Alhandra a Vila Franca de Xira, entre o Rio Tejo e as aldeias da serra

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