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terça-feira, 10 de março de 2026

Pr4 Setúbal - Aldeias de Azeitão



O PR4 de Setúbal – Aldeias de Azeitão é um trilho circular que atravessa algumas das paisagens mais características da região de Azeitão e da Serra da Arrábida. Nesta caminhada optámos por fazer uma versão encurtada do percurso original, mantendo grande parte da sua diversidade de ambientes. O trilho foi realizado no sentido dos ponteiros do relógio.

O percurso oficial do PR4 inicia-se em Vila Nogueira de Azeitão e segue inicialmente para nascente, em direção à zona da Califórnia, antes de descer a encosta rumo aos Picheleiros. Foi precisamente essa primeira parte que decidimos encurtar. Em vez disso, começámos a caminhada no Jardim da Bacalhôa, passando pelo centro de Vila Nogueira de Azeitão e seguindo depois em direção à serra.

A partir daí, avançámos por um estradão que conduz à zona de Picheleiros. No cruzamento junto ao parque de campismo encontrámos o traçado oficial do PR4, que seguimos até regressarmos novamente a Vila Nogueira de Azeitão.

Este é um percurso muito variado, que percorre uma boa parte da Serra da Arrábida e combina ambientes bastante distintos. Ao longo do trilho passamos da zona mais urbana de Azeitão para paisagens rurais marcadas por vinhas, campos agrícolas, pinhais e pequenas aldeias, além de trilhos já em plena serra.

A caminhada começa num ambiente citadino, atravessando o centro de Vila Nogueira de Azeitão. Pouco depois entramos numa zona rural dominada por cultivos e vinhas, que nos conduz gradualmente até à Serra de São Francisco e ao Vale do Alambre.

Do topo da serra abrem-se vistas amplas sobre o vale e sobre a imponente Serra do Formosinho, um dos pontos mais marcantes da Arrábida.



Depois de passarmos pelos Picheleiros, o percurso segue por trilhos e estradões no sopé da Serra do Formosinho. Aqui atravessamos zonas de bosque com montado e áreas de laurissilva, vegetação característica da Serra da Arrábida que ajuda a manter o trilho agradável e com bastante sombra.

Ao passar pelos Casais da Serra regressamos novamente a uma paisagem mais rural, onde predominam as vinhas. O caminho segue então em direção às aldeias da Portela e da Piedade, passando pela Capela de São Pedro e por uma zona marcada por antigas quintas.

Nos quilómetros finais o percurso volta a tornar-se mais urbano, atravessando Aldeia de Irmãos, Oleiros, Vila Nogueira e São Lourenço, antes de regressar ao ponto inicial.




Vale do Alambre

O Vale do Alambre é um dos vales mais conhecidos e naturais da Serra da Arrábida, localizado no concelho de Setúbal e integrado no Parque Natural da Arrábida. Trata-se de um vale profundo e encaixado que se estende entre a Serra de São Francisco e as encostas da Serra do Formosinho, formando uma das paisagens mais verdes e húmidas de toda a Arrábida.

O vale destaca-se pela sua vegetação muito densa, pouco comum no sul de Portugal, onde predominam bosques de laurissilva mediterrânica, com espécies como loureiro, folhado, medronheiro e azereiro. Esta vegetação, associada à orientação das encostas e à presença de linhas de água temporárias, cria um microclima mais fresco e húmido, permitindo o desenvolvimento de comunidades vegetais de grande valor ecológico.

Geologicamente, o vale está inserido no maciço calcário da Arrábida. As encostas íngremes e escarpadas, formadas por rochas calcárias, resultam de milhões de anos de erosão e modelação do relevo. Nesta zona existem também pequenas grutas, ravinas e linhas de drenagem que conduzem a água durante os períodos de maior precipitação.

O Vale do Alambre é também importante do ponto de vista da biodiversidade, servindo de habitat a diversas espécies de aves, pequenos mamíferos e répteis típicos do ambiente mediterrânico. A densidade da vegetação e o relativo isolamento tornam este vale um refúgio natural dentro do parque.

Para quem percorre os trilhos da Arrábida, o vale oferece um ambiente muito diferente das zonas mais abertas da serra. Os caminhos atravessam áreas sombreadas e húmidas, com trilhos sinuosos que seguem o fundo do vale ou sobem pelas encostas, proporcionando uma experiência de caminhada muito variada e em contacto direto com a natureza.



Aldeias de Azeitão

As Aldeias de Azeitão formam um conjunto de pequenas povoações situadas na base da Serra da Arrábida, no concelho de Setúbal. Estas aldeias mantêm um forte caráter rural, marcado pela tradição agrícola, pelas vinhas e pelas antigas quintas senhoriais que historicamente ocuparam esta zona fértil entre a serra e a planície.

Entre estas povoações destacam-se a Portela, a Piedade e São Pedro, pequenas localidades ligadas por caminhos rurais, vinhas e campos agrícolas. As casas tradicionais, muitas delas térreas e com pátios ou quintais, convivem com antigas quintas agrícolas que testemunham a importância histórica da produção de vinho e de produtos da terra nesta região.

A paisagem envolvente é marcada por vinhas, olivais, pinhal e pequenas áreas de cultivo, criando um ambiente tranquilo e tipicamente rural. Ao mesmo tempo, a proximidade da Serra da Arrábida proporciona vistas abertas para as encostas calcárias da serra e para os vales que descem em direção a Azeitão.

Estas aldeias conservam ainda um ritmo de vida calmo e tradicional, sendo atravessadas por vários percursos pedestres que permitem conhecer melhor a paisagem agrícola e o património rural da região, ao mesmo tempo que ligam as povoações históricas de Azeitão entre si.

Apoios e acessos


No conjunto, trata-se de um percurso longo, mas muito interessante pela variedade de paisagens e ambientes. A presença frequente de sombra torna-o agradável em praticamente qualquer época do ano. Após períodos de chuva, algumas zonas podem apresentar lama. 

O trilho pode ser feito em ambos os sentidos, embora seja recomendável no sentido dos ponteiros do relógio, já que no sentido contrário existe uma subida mais íngreme para a Serra de São Francisco.

Iniciamos o percurso junto ao Jardim da Bacalhoa onde há um parque de estacionamento gratuito

Dados Técnicos


Distancia percorrida : 17 Kms,

Dificuldade: Média 

Desnível positivo: 355 metros


Jorge Soares

Caminhada com o Grupo Caminhadas e Convivios Setubal


domingo, 1 de fevereiro de 2026

Trilho na Gâmbia – entre salinas, arrozais, vinhas, montado e o estuário do Sado


Imagem minha do Wikiloc

A zona da Gâmbia, na península de Setúbal, é um daqueles territórios onde a paisagem muda a cada quilómetro e onde a presença da água marca profundamente o território. Inserido no estuário do rio Sado, este trilho revela uma área baixa e plana, moldada pelas marés, pelos canais de água e pela atividade humana ao longo dos séculos.

O percurso tem início junto ao Parque de Campismo e desenvolve-se maioritariamente em estradas e estradões, tornando-o plano, acessível e muito agradável. Ao longo do caminho atravessam-se pequenas aldeias, zonas de montado, vinhas, extensos arrozais e as antigas salinas da Gâmbia, que hoje funcionam como importantes áreas de refúgio para aves aquáticas.




As salinas são um dos elementos mais marcantes da região. Durante séculos, a produção de sal teve aqui um papel fundamental na economia local. Atualmente, muitas destas estruturas encontram-se desativadas, mas mantêm um elevado valor ecológico, oferecendo cenários únicos e tranquilos, ideais para observação da natureza.

Os arrozais, alimentados por água doce, formam grandes superfícies alagadas durante parte do ano, criando paisagens muito diferentes conforme a estação. Na primavera e no verão dominam os tons verdes intensos; no final do ciclo, os campos ganham cores douradas antes da colheita.

Para além das zonas húmidas, o trilho atravessa áreas de montado, um ecossistema típico do sul de Portugal, dominado por sobreiros e azinheiras. Este sistema resulta de uma gestão tradicional do território e tem grande importância ambiental, sendo também fundamental para a biodiversidade local.

Um dos pontos de interesse do percurso é o cais palafítico da Gâmbia, construído sobre estacas de madeira cravadas no fundo do estuário. Este cais está ligado às antigas atividades de transporte fluvial, pesca e exploração das salinas, constituindo hoje um importante testemunho do património local e da relação histórica entre as populações e o rio Sado.

O trilho pode ser realizado em qualquer altura do ano e em ambos os sentidos. A versão por nós percorrida teve cerca de 15 km, mas o percurso é facilmente adaptável, podendo ser encurtado ou prolongado graças à extensa rede de caminhos existentes.




⚠️ Nota: Devido ao incêndio na ponte do Zambujal, não é atualmente possível a visita à Herdade nem ao Zambujal milenário.

Este é um percurso ideal para quem procura uma caminhada tranquila, rica em paisagens naturais e com forte ligação à história e identidade do estuário do Sado.

Trilho wikiloc Aqui

Dados técnicos:

Distância percorrida : 15 Kms

Desnivel positivo: 97 metros

Dificuldade: Fácil


Jorge Soares

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Setúbal, a serra de São Luís e a subida à Vigia

 

vígiamapa.PNG

Imagem do Wikilock

A Serra de São Luís encontra-se inserida no Parque Natural da Arrábida e tem, no seu topo, o ponto mais elevado do concelho de Palmela e segundo ponto mais alto da Serra da Arrábida, com 395 metros de altitude. Situa-se no extremo nordeste e forma a segunda linha de serras do Parque Natural da Arrábida, conjuntamente com a Serra dos Gaiteiros (226 m).

Desde tempos muito remotos que a Serra de São Luís tem sido ocupada e utilizada pelos seres humanos nas mais diversas vertentes, ficando, assim, ao longo dos tempos, marcas dessa presença. As pedreiras existentes serão talvez a marca mais visível, constituindo uma “cicatriz” bem marcada na paisagem. Estas pedreiras foram encerradas na década de setenta do século XX, aquando da criação do Parque Natural da Arrábida. Nelas era extraído calcário, mas também a famosa Brecha da Arrábida. Numa das pedreiras é possível observar pegadas de dinossauros.

Na vertente sul encontra-se a Ermida de São Luís da Serra, bem como uma pequena capela, um miradouro e um parque de merendas. No topo está instalado um posto de vigia dos guardas do Parque Natural da Arrábida, sendo o seu acesso um dos mais populares da serra.

A Ermida de São Luís da Serra é um local histórico e religioso no Parque Natural da Arrábida, próximo de Setúbal, muito procurado para caminhadas e trilhos pedestres, especialmente a rota circular que por ali passa. Oferece vistas deslumbrantes e constitui um ponto de convívio tradicional, com celebrações de pastores na Pascoela e a bênção de animais.

Iniciámos a caminhada junto à Escola Secundária do Viso, seguindo antigos caminhos da serra até ao Grelhal. Após a travessia da EN10, inicia-se a subida que nos leva até à Capela de São Luís.

O miradouro junto à capela proporciona vistas amplas sobre a Serra da Arrábida até ao Formosinho, o estuário do Sado, Tróia e a cidade de Setúbal.

De seguida, percorremos trilhos e estradões que contornam a serra, até iniciarmos a subida à Vigia.

Passando por uma das antigas pedreiras de Brecha da Arrábida, seguimos um trilho em zigue-zague até chegarmos ao local onde foi colocada a mesa. Trata-se de um miradouro com quase 360 graus, oferecendo vistas desafogadas sobre toda a Serra da Arrábida e, em dias claros, sobre a costa atlântica quase até Sines e, para norte, o rio Tejo, Lisboa e a Serra de Sintra.

Infelizmente, calhou-nos um dia de nuvens baixas e poucas vistas.

Após passarmos pelo posto da Vigia, iniciámos a descida pelo estradão que nos levou novamente à EN10.

De regresso ao Grelhal, o retorno ao ponto de partida fez-se pelo troço de calçada romana até ao Viso.

O trilho tem bastantes sombras pelo que pode ser percorrido em qualquer altura do ano, a parte mais exposta é o estradão, pelo que recomendo que seja feito no sentido dos ponteiros do relógio.

Mais detalhes e fotografias no wikiloc

Fonte (Wikipédia)