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domingo, 1 de fevereiro de 2026

Trilho na Gâmbia – entre salinas, arrozais, vinhas, montado e o estuário do Sado


Imagem minha do Wikiloc

A zona da Gâmbia, na península de Setúbal, é um daqueles territórios onde a paisagem muda a cada quilómetro e onde a presença da água marca profundamente o território. Inserido no estuário do rio Sado, este trilho revela uma área baixa e plana, moldada pelas marés, pelos canais de água e pela atividade humana ao longo dos séculos.

O percurso tem início junto ao Parque de Campismo e desenvolve-se maioritariamente em estradas e estradões, tornando-o plano, acessível e muito agradável. Ao longo do caminho atravessam-se pequenas aldeias, zonas de montado, vinhas, extensos arrozais e as antigas salinas da Gâmbia, que hoje funcionam como importantes áreas de refúgio para aves aquáticas.




As salinas são um dos elementos mais marcantes da região. Durante séculos, a produção de sal teve aqui um papel fundamental na economia local. Atualmente, muitas destas estruturas encontram-se desativadas, mas mantêm um elevado valor ecológico, oferecendo cenários únicos e tranquilos, ideais para observação da natureza.

Os arrozais, alimentados por água doce, formam grandes superfícies alagadas durante parte do ano, criando paisagens muito diferentes conforme a estação. Na primavera e no verão dominam os tons verdes intensos; no final do ciclo, os campos ganham cores douradas antes da colheita.

Para além das zonas húmidas, o trilho atravessa áreas de montado, um ecossistema típico do sul de Portugal, dominado por sobreiros e azinheiras. Este sistema resulta de uma gestão tradicional do território e tem grande importância ambiental, sendo também fundamental para a biodiversidade local.

Um dos pontos de interesse do percurso é o cais palafítico da Gâmbia, construído sobre estacas de madeira cravadas no fundo do estuário. Este cais está ligado às antigas atividades de transporte fluvial, pesca e exploração das salinas, constituindo hoje um importante testemunho do património local e da relação histórica entre as populações e o rio Sado.

O trilho pode ser realizado em qualquer altura do ano e em ambos os sentidos. A versão por nós percorrida teve cerca de 15 km, mas o percurso é facilmente adaptável, podendo ser encurtado ou prolongado graças à extensa rede de caminhos existentes.




⚠️ Nota: Devido ao incêndio na ponte do Zambujal, não é atualmente possível a visita à Herdade nem ao Zambujal milenário.

Este é um percurso ideal para quem procura uma caminhada tranquila, rica em paisagens naturais e com forte ligação à história e identidade do estuário do Sado.

Trilho wikiloc Aqui

Dados técnicos:

Distância percorrida : 15 Kms

Desnivel positivo: 97 metros

Dificuldade: Fácil


Jorge Soares

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Setúbal, a serra de São Luís e a subida à Vigia

 

vígiamapa.PNG

Imagem do Wikilock

A Serra de São Luís encontra-se inserida no Parque Natural da Arrábida e tem, no seu topo, o ponto mais elevado do concelho de Palmela e segundo ponto mais alto da Serra da Arrábida, com 395 metros de altitude. Situa-se no extremo nordeste e forma a segunda linha de serras do Parque Natural da Arrábida, conjuntamente com a Serra dos Gaiteiros (226 m).

Desde tempos muito remotos que a Serra de São Luís tem sido ocupada e utilizada pelos seres humanos nas mais diversas vertentes, ficando, assim, ao longo dos tempos, marcas dessa presença. As pedreiras existentes serão talvez a marca mais visível, constituindo uma “cicatriz” bem marcada na paisagem. Estas pedreiras foram encerradas na década de setenta do século XX, aquando da criação do Parque Natural da Arrábida. Nelas era extraído calcário, mas também a famosa Brecha da Arrábida. Numa das pedreiras é possível observar pegadas de dinossauros.

Na vertente sul encontra-se a Ermida de São Luís da Serra, bem como uma pequena capela, um miradouro e um parque de merendas. No topo está instalado um posto de vigia dos guardas do Parque Natural da Arrábida, sendo o seu acesso um dos mais populares da serra.

A Ermida de São Luís da Serra é um local histórico e religioso no Parque Natural da Arrábida, próximo de Setúbal, muito procurado para caminhadas e trilhos pedestres, especialmente a rota circular que por ali passa. Oferece vistas deslumbrantes e constitui um ponto de convívio tradicional, com celebrações de pastores na Pascoela e a bênção de animais.

Iniciámos a caminhada junto à Escola Secundária do Viso, seguindo antigos caminhos da serra até ao Grelhal. Após a travessia da EN10, inicia-se a subida que nos leva até à Capela de São Luís.

O miradouro junto à capela proporciona vistas amplas sobre a Serra da Arrábida até ao Formosinho, o estuário do Sado, Tróia e a cidade de Setúbal.

De seguida, percorremos trilhos e estradões que contornam a serra, até iniciarmos a subida à Vigia.

Passando por uma das antigas pedreiras de Brecha da Arrábida, seguimos um trilho em zigue-zague até chegarmos ao local onde foi colocada a mesa. Trata-se de um miradouro com quase 360 graus, oferecendo vistas desafogadas sobre toda a Serra da Arrábida e, em dias claros, sobre a costa atlântica quase até Sines e, para norte, o rio Tejo, Lisboa e a Serra de Sintra.

Infelizmente, calhou-nos um dia de nuvens baixas e poucas vistas.

Após passarmos pelo posto da Vigia, iniciámos a descida pelo estradão que nos levou novamente à EN10.

De regresso ao Grelhal, o retorno ao ponto de partida fez-se pelo troço de calçada romana até ao Viso.

O trilho tem bastantes sombras pelo que pode ser percorrido em qualquer altura do ano, a parte mais exposta é o estradão, pelo que recomendo que seja feito no sentido dos ponteiros do relógio.

Mais detalhes e fotografias no wikiloc

Fonte (Wikipédia)

De Alhandra a Vila Franca de Xira, entre o Rio Tejo e as aldeias da serra

Um percurso realmente diferente e diverso, num só dia combinamos a tranquilidade do Tejo, o ambiente urbano ribatejano e os trilhos exigent...