A zona da Gâmbia, na península de Setúbal, é um daqueles territórios onde a paisagem muda a cada quilómetro e onde a presença da água marca profundamente o território. Inserido no estuário do rio Sado, este trilho revela uma área baixa e plana, moldada pelas marés, pelos canais de água e pela atividade humana ao longo dos séculos.
O percurso tem início junto ao Parque de Campismo e desenvolve-se maioritariamente em estradas e estradões, tornando-o plano, acessível e muito agradável. Ao longo do caminho atravessam-se pequenas aldeias, zonas de montado, vinhas, extensos arrozais e as antigas salinas da Gâmbia, que hoje funcionam como importantes áreas de refúgio para aves aquáticas.
As salinas são um dos elementos mais marcantes da região. Durante séculos, a produção de sal teve aqui um papel fundamental na economia local. Atualmente, muitas destas estruturas encontram-se desativadas, mas mantêm um elevado valor ecológico, oferecendo cenários únicos e tranquilos, ideais para observação da natureza.
Os arrozais, alimentados por água doce, formam grandes superfícies alagadas durante parte do ano, criando paisagens muito diferentes conforme a estação. Na primavera e no verão dominam os tons verdes intensos; no final do ciclo, os campos ganham cores douradas antes da colheita.
Para além das zonas húmidas, o trilho atravessa áreas de montado, um ecossistema típico do sul de Portugal, dominado por sobreiros e azinheiras. Este sistema resulta de uma gestão tradicional do território e tem grande importância ambiental, sendo também fundamental para a biodiversidade local.
Um dos pontos de interesse do percurso é o cais palafítico da Gâmbia, construído sobre estacas de madeira cravadas no fundo do estuário. Este cais está ligado às antigas atividades de transporte fluvial, pesca e exploração das salinas, constituindo hoje um importante testemunho do património local e da relação histórica entre as populações e o rio Sado.
O trilho pode ser realizado em qualquer altura do ano e em ambos os sentidos. A versão por nós percorrida teve cerca de 15 km, mas o percurso é facilmente adaptável, podendo ser encurtado ou prolongado graças à extensa rede de caminhos existentes.
⚠️ Nota: Devido ao incêndio na ponte do Zambujal, não é atualmente possível a visita à Herdade nem ao Zambujal milenário.
Este é um percurso ideal para quem procura uma caminhada tranquila, rica em paisagens naturais e com forte ligação à história e identidade do estuário do Sado.
