À data da nossa visita, devido aos incêndios do verão de 2025, apenas era possível percorrer os passadiços entre a Praia Fluvial do Areinho e a do Vau. A entrada do lado de Espiunca encontrava-se encerrada, sendo o único acesso disponível pelo Areinho.
Optámos por fazer o percurso de ida e volta, num total aproximado de 10 km. Para quem preferir realizar apenas um dos sentidos, existe a possibilidade de regressar ao ponto inicial de jipe ou táxi.
Uma nota importante para quem vai visitar a Ponte Suspensa e adquiriu bilhete pelo Areinho: o horário indicado refere-se à entrada na ponte, e não ao acesso ao Areinho.
As chuvas das semanas anteriores deram ainda mais vida ao cenário. O Rio Paiva, os ribeiros e as cascatas ao longo do percurso apresentavam um caudal impressionante, tornando a paisagem ainda mais arrebatadora.
Os Passadiços do Paiva acompanham o rio ao longo do vale, onde o som constante da água se mistura com o verde intenso da vegetação. As cores da natureza são simplesmente fantásticas.
No entanto, muita chuva significa também muita humidade. Em vários pontos, a madeira estava escorregadia, exigindo atenção redobrada para evitar quedas — mesmo com calçado de sola aderente.
Sem dúvida, trata-se de um dos mais belos percursos naturais de Portugal.
A subida desafiante até à ponte
Não sei como estará o acesso pelo lado de Espiunca, mas pela entrada onde iniciámos o percurso, após algumas centenas de metros surge uma subida íngreme: cerca de 600 degraus numa ascensão acentuada até à entrada da ponte suspensa.
Não é recomendável para quem não tenha alguma preparação física, sobretudo porque a ponte pode ser visitada com acesso mais facilitado pela entrada de Alvarenga.
A impressionante Ponte 516 Arouca
A Ponte 516 Arouca é uma das mais impressionantes pontes pedonais suspensas do mundo e integra o Arouca Geopark.
Com 516 metros de comprimento — número que lhe dá o nome — estende-se a cerca de 175 metros de altura sobre o Rio Paiva, proporcionando uma experiência única, especialmente para quem não sofre de vertigens.
O piso é em rede metálica, permitindo ver o vale e o rio sob os pés, o que intensifica a sensação de altura e aventura. A estrutura metálica é sustentada por cabos de aço e ancorada em duas torres de betão em forma de “V” nas extremidades.
A travessia demora, em média, cerca de dez minutos, dependendo do ritmo de cada visitante. Durante o percurso, a ponte pode oscilar ligeiramente, sobretudo em dias de vento ou com a passagem de outras pessoas — um detalhe que aumenta a adrenalina.
Do alto, as vistas sobre a Garganta do Paiva, as encostas verdejantes e a paisagem rochosa envolvente são absolutamente memoráveis. Inaugurada em maio de 2021, tornou-se rapidamente um dos principais pontos turísticos da região e um símbolo contemporâneo da engenharia em Portugal.
O Rio Paiva: um tesouro natural
O Rio Paiva é considerado um dos rios mais limpos e bem preservados do país. Nasce na Serra de Leomil, no concelho de Moimenta da Beira, e percorre cerca de 110 quilómetros até desaguar no Rio Douro, junto a Castelo de Paiva.
Ao longo do seu percurso, atravessa vales profundos, encostas escarpadas e impressionantes formações rochosas, como a Garganta do Paiva, no concelho de Arouca — uma das zonas mais emblemáticas do território integrado no Arouca Geopark.
As suas margens, cobertas por vegetação autóctone, abrigam uma rica biodiversidade, incluindo diversas espécies de aves, peixes e mamíferos.
Além da contemplação, o rio é também muito procurado para atividades como rafting, canoagem e caminhadas. Apesar do crescente fluxo turístico, mantém um caráter selvagem e tranquilo, sendo um excelente exemplo de conservação ambiental e valorização sustentável da natureza em Portugal.
Se procura um destino que combine paisagem dramática, desafio físico e contacto profundo com a natureza, os Passadiços do Paiva e a Ponte 516 Arouca são uma escolha absolutamente imperdível.
Apoios e acessos
Do lado do Areinho há um bar bastante agradável, no dia em que fomos havia uma funcionária extremamente simpática e prestável. Há onde estacionar e, no verão, uma praia fluvial.
No Vau, há um bar, que nesta altura estava encerrado, casas de banho e uma praia fluvial.
Espetacular, Obrigada pela oportunidade e pela partilha!
ResponderEliminarObrigado eu, apesar de todos os imponderáveis, foi um fim de semana para recordar
EliminarExcelente relato, Jorge! Aproveito para te deixar um agradecimento imenso, pois foi por nos teres guiado tão bem que ficámos a conhecer este magnífico trilho. Este percurso, a par de outros que fizemos contigo na zona do Planalto da Serra da Freita, foram experiências inesquecíveis que nos deram a conhecer o melhor da região.
ResponderEliminarObrigado eu, pessoas como tu fazem com que valha a pena organizar eventos destes
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